Quais documentos pesquisar primeiro?

fs
Imagem:  livro de casamentos do Cartório de Registro Civil da Barra Funda (SP), Family Search

Quando estamos buscando informações sobre nossos antepassados, devemos localizar inicialmente os documentos de partida e que são os mais fáceis de encontrar, ou seja, nossos próprios registros de nascimento, bem como os dos nossos pais e avós.

A sua certidão de nascimento conterá o nome dos seus pais, avós paternos e maternos, bem como a de seus pais também terá os respectivos nomes. Com esses dados, comece a organizar sua árvore genealógica, a fim de deixar as informações visualmente mais fáceis de serem localizadas.

Em algum momento, as pistas vão começar a desaparecer, seja porque as pessoas já são falecidas e ninguém mais se lembra quando nasceram, seja porque nenhum dos familiares tem cópias de certidões relacionadas a estas pessoas. A tradição oral dos familiares é importante neste momento, para tentar identificar onde supostamente a pessoa nasceu ou viveu.

Delimitadas as regiões em que precisará pesquisar, é preciso decidir qual tipo de documento irá “atacar” primeiro, pois é importante focar para não perder tempo e/ou dinheiro com suas pesquisas.  A maioria dos genealogistas propõe, e eu concordo, que sejam procurados inicialmente os registros de casamento, pois conterão mais informações do que os demais, principalmente se estiver procurando registros paroquiais.

Atenção! No Brasil, o Registro Civil foi implantado de forma gradual a partir de 1874, e de forma universalizada em 1888, com o Decreto nº 10.044 de 22 de setembro de 1888. Assim, para fins de cidadania italiana, os documentos paroquiais de batismo, casamento ou óbito só são aceitos até esta data. Para cidadania portuguesa pela via sefardita, não há obrigatoriedade de apresentar registros civis dos antepassados.

Assim, proponho que seja feita a seguinte priorização em sua pesquisa (alguns comentários são válidos apenas para o Brasil):

  1. Registros civis de casamento: contém os nomes completos dos noivos, datas e locais de nascimento, algumas vezes endereço, nomes dos pais e origem destes, e testemunhas, que muitas vezes podem ser parentes. Em um único registro são obtidas várias informações. Dificilmente um documento de casamento não conterá ao menos os nomes dos pais.
  2. Registros civis de nascimento: contém o nome completo do registrado, data e local do nascimento, nome dos pais, nome dos avós maternos e paternos. Contém informações importantes também, mas a depender de como o registro foi feito, as informações não estão completas. Registros tardios de nascimento, ou seja, realizados de forma autodeclarada quando o registrado já é maior de idade, podem conter incorreções, como nomes e locais de origem incorretos. Nesses casos, o registrado também pode não lembrar o nome dos avós e não informar seus nomes no registro, ou até mesmo identificar nomes incorretos.
  3. Registros paroquiais de casamento: são a terceira opção nesta lista, mas deve ser a primeira para períodos em que não havia Registro Civil. Assim como o civil,  geralmente contém o nome completo dos noivos, freguesia de origem, nome dos pais e padrinhos. Algumas vezes a idade dos noivos é identificada, e poucos são os casos que contém a data de nascimento. Dificilmente um registro paroquial de casamento não conterá os nomes dos pais dos noivos, mas vez ou outra você pode se deparar com esse azar.
  4. Registros paroquiais de batismo: geralmente contém somente o primeiro nome do batizado, o nome dos pais, data e local de batismo e padrinhos. Em muitos casos, pode ter a data de nascimento, e em casos raros é indicado o nome dos avós maternos e paternos – mais frequentemente em registros do século 18. É um registro eficiente somente se você souber o nome dos pais do batizado e quer saber a data exata em que nasceu.
  5. Registros de óbito civis ou paroquiais: estão juntos, pois ambos apresentam muitas dificuldades. Ambos são produzidos quando a pessoa a que se referem já não estão presentes, então contém muitas incorreções ou falta de informações. No civil, muitas vezes contém o nome dos cônjuges, filhos e pais, mas não é sempre que isso ocorre. Também não costumam ter a data de nascimento, somente a idade no momento da morte. Já os paroquiais antigos apresentam maiores problemas ainda, pois na maioria das vezes não citam o nome do cônjuge (principalmente se o falecido já fosse viúvo), então se o nome do falecido é comum, fica difícil ter certeza se é quem você procura, e a idade é aproximada. O nome dos pais só é identificado se fosse párvulo, ou seja, menor de idade. Ou seja, procure os registros de óbito por último.

Esses são os documentos básicos para poder “subir” sua árvore genealógica e sua pesquisa mais rapidamente. A partir das informaçõess obtidas neles, poderá consultar outros tipos de documentos, como processos, prontuários, passaportes, inventários etc.

Agora que você já sabe os prós e contras de cada tipo de registro, está pronto para começar sua pesquisa?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s